CEMITÉRIO

1. UM POUCO DE HISTÓRIA

O Campo Santo

O Cemitério de Santo Amaro é o segundo cemitério, em uso, mais antigo de São Paulo. O primeiro é o de Parelheiros/Colônia e o terceiro é o Cemitério da Consolação.

O Cemitério de Santo Amaro funciona desde 1857. Adolfo Pinheiro foi o administrador da construção do Cemitério, em sua fase inicial.

O primeiro enterro ocorreu no dia 05/01/1857. (Ver foto pag.251). O cemitério faz parte da história viva da cidade. Neste cemitério podemos ver as famílias tradicionais da região, dos tempos idos.Este é um espaço marcante e um espaço venerável da história de Santo Amaro.

Aqui tratamos do Cemitério como um espaço da cidade; um espaço dos mortos e também dos vivos. Um espaço que é testemunho da nossa história  Por isto sabemos que pode e deve ser um espaço acolhedor. Nós nos acostumamos a interpretar Santo Amaro e o mundo, através da vida; aqui percebemos que também podemos interpretá-lo através da morte, como dizia Gilberto Freire.

Estudamos o Cemitério de Santo Amaro há mais de dez anos, como quem estuda um espaço de vivos; que nos dá lições de vida.O nosso Cemitério é um espaço de muita natureza e de alguma arte, o que o faz um espaço acolhedor; tem algo de cemitério parque.

Aí temos muito a aprender.

2. ARTE NO CEMITÉRIO

Aí, além de algumas observações gerais, visitamos dois monumentos, de autoria de Júlio Guerra, muito sugestivos e belos:

  • Um de Jesus e Maria, no túmulo da família Lameira. Parecem chorar a morte do amigo Lázaro.
  • Outro belo monumento representa Jesus Morto e Maria Madalena. Está no túmulo da família Schmidt.Há outros túmulos memoráveis e de muita arte.

É uma preciosa alegoria da vida, em sua perspectiva escatológica. É uma sentida alegoria e sentimento de respeito pelo Mestre Divino.

O Cemitério de Santo Amaro é um grande repositório de arte religiosa e de saudades.É um espaço de recordações que alimentam a vida.Neste cemitério é a última morada física das grandes personalidades da História de Santo Amaro. É sempre um lugar de respeito à dignidade das pessoas.

Aí repousam os restos mortais de nossa gente, que nos merece muito respeito, para sempre.

  1. Anteriormente à construção do atual cemitério, as pessoas, falecidas, eram enterradas em área ao lado da atual Catedral, então Igreja Matriz de Santo Amaro.

Por certo, o cemitério ocupava o espaço que hoje serve de estacionamento, para os usuários da Catedral. Ocupava também o espaço do Lgo 13 de Maio, e muito mais. Havia um amplo espaço à frente e atrás do templo.

     Esta área pertenceu à Catedral de Santo Amaro, como pode ser observado no documento do primeiro Vigário da Paróquia, Pe, João de Pontes. (Anexo), pag. 150 desta obra.

 

 

Assim sendo, o atual estacionamento é o antigo Campo-Santo das pessoas de Santo Amaro.

Aliás, a frente do templo também era bem ampla; ocupava o início da atual Avenida P. José Maria e da Alameda Santo Amaro. Espaço hoje reduzido pela Prefeitura, para ampliação das vias públicas.

O espaço primitivo do Cemitério, ocupava ampla área de largura, em todo o entorno da Igreja: 33 m. lineares, em cada uma das laterais e 36 m lineares à frente e atrás da Igreja, segundo informações do Pe. João de Pontes, primeiro Vigário da Matriz, em Dezembro de 1730. (Ver Doc. /foto).

     A área primitiva da Igreja Matriz era de 8.330 m2, aproximadamente, com base nos documentos do Pe. João de Pontes.     Esta foi reduzida por alguns acordos com a Prefeitura e com particulares.Estes acordos precisam ser estudados e revistos, por comissão mista, com a cooperação da Câmara Municipal.

Nota: No passado, até o início do séc. XVIII, os Cristãos eram enterrados dentro das Igrejas…ou ao redor do templo…

Nas áreas à frente, atrás e no atual estacionamento, talvez, ainda se encontrem soterrados restos mortais (ossadas), de antigos moradores de nosso rincão. Uma questão a ser repensada criteriosamente. Estes espaços merecem respeito de todos.

3. Túmulos das Famílias de Santo Amaro

  1. Em frente à tumba monumental da família Schmidt, está a tumba, simples, de Júlio Guerra.
  2. Jesus e Maria Madalena. Monumento fúnebre, em bronze, de Júlio Guerra, para a família Schmidt.